Origens
Durante os últimos 50 anos os métodos de cura orientais e de origem tradicional encontraram uma grande aceitação na sociedade ocidental. Terapias como a Acupunctura, Fitoterpia, Moxabustão, entre outras assim como o uso de alimentos usados tradicionalmente foram aceites e bem recebidos na Europa e América sendo usados regularmente. Entre os vários métodos surge o Shiatsu como um dos métodos mais práticos e eficientes.
As técnicas de cura oriundas do Japão tiveram origem na China há mais de cinco mil anos. O Shiatsu é uma síntese do Yudo, Do-in e a massagem antiga Anma. Outro nome pelo qual é conhecido o Shiatsu no Ocidente é Acupressão.
Em 1955 o governo Japonês reconheceu oficialmente o Shiatsu como uma prática médica complementar desde então tem sido ensinado nas universidades tal como aconteceu com outros métodos tradicionais.
Para compreender melhor o Shiatsu podemos compará-lo com dois métodos de tratamento em que também se usa o toque, Anma e Massagem Clássica.
A Anma teve origem na China e mais tarde no Japão. A primeira sílaba AN significa pressão e não pressão enquanto a segunda Ma significa amassar ou esfregar. A Anma foi reconhecida oficialmente pelas autoridades médicas mas foi perdendo popularidade até ao período de Edo (1501-1857) altura em que renasceu o interesse por esta arte. Em 1973 foi publicado um livro sobre Anma tornando-se uma arte complementar das medicinas orientais e baseia-se essencialmente em aplicar pressão sobre os meridianos e pontos.
As origens da massagem ocidental remontam à altura do pai da medicina moderna, Hipócrates que recomendava as massagens aos seus pacientes. A massagem voltou a ganhar importância no período do renascimento francês no século XVI. Esta técnica foi introduzida no Japão por volta de 1880 em meados do período Meiji. A palavra massagem deriva do árabe, grego e hebreu e significa tocar, amassar ou esfregar. No mundo médico actual a massagem a massagem é usada para o bem-estar geral da saúde.
A Anma de origem oriental e massagem de origem ocidental tiveram diferentes tipos de desenvolvimento e foram evoluindo nas suas debilidades e explorando-os seus pontos fortes. Contudo, existe uma forte tendência em considerar o mesmo tipo de aplicação para estes dois métodos e embora tenham tido um desenvolvimento em separado, na prática eles são aplicados em conjunto.
Durante o período de Edo, a maior parte dos praticantes eram cegos e faziam tratamentos ao domicílio. Ao mesmo tempo a massagem era introduzida no Japão (1880) quando existiam muitas escolas de Anma para cegos. O mesmo fenómeno aconteceu com certos instrumentos musicais japoneses os quais eram dominados por cegos e que apesar das suas limitações conseguiram desenvolver um nível de qualificações bastante elevado. Da mesma forma aconteceu com a Anma que se converteu numa ferramenta par o conforto e relaxamento.
Enquanto o Shiatsu desenvolvia as técnicas e aplicações no principio do período Taisho (1920), os praticantes de Shiatsu adaptaram-se a algumas ocupações populares (quiropráticos, osteopatas, terapeutas, etc) na América. Alguns como Masunaga e Namicoshi são exemplos de exímios praticantes que aprofundaram as suas investigações.
Analisando estas três técnicas (Anma, Shiatsu e Massagem) torna-se evidente que todas seguem as leis da dinâmica, o estudo do movimento e acção produzidos por forças externas. A terceira lei da termodinâmica de Newton diz que se um objecto projecta uma força contra a outra , existe uma força de reacção igual e oposta do segundo objecto contra o primeiro. Quando aplicamos um estimulo no corpo quer seja pressionando, esfregando, amassando ou outro, o corpo cria alterações internas. Por isso, o praticante de Shiatsu desenvolve a sensibilidade e intuição necessárias para a interpretação destas alterações geradas por estímulos externos. Assim, não é de estranhar que os praticantes de Shiatsu no Japão se tenham tornado verdadeiras autoridades no tratamento das chamadas pequenas doenças.
Apesar de normalmente se achar que o Shiatsu deriva da Acupunctura o mais natural é que lhe preceda. Uma vez que o toque é a forma de cura mais instintiva supõe-se que se esfregava e pressionava pontos e meridianos muito antes da utilização de agulhas (as primeiras em pedra encontradas na China remontam ao ano 8000 a.c.).
Apesar de gradualmente na China a Acupunctura ter-se tornado no método de tratamento médico as técnicas de massagem e palpação continuaram a ser de enorme importância no ensino médico antes de passarem ao manuseamento de agulhas. À media que o tempo ia avançando as massagens no tratamento médico foram deixando de se usar até que o seu estatuto chegou a ser mais ou menos o mesmos que a fisioterapia no nosso sistema médico. No entanto entre a população, o esfregar, o massajar e o pressionar os pontos e meridianos mantiveram a sua aceitação. No Tibete, Filipinas, Indonésia e Tailândia possuem versões parecidas. Os indianos afirmam que todos os métodos de massagem tiveram origem na Índia à semelhança do que acontece com outras práticas. Apesar da dificuldade em provar isso o certo é que sempre houve uma influencia da cultura indiana no resto do continente através da rota das especiarias. O Japão manteve sempre uma abertura cultural com a China importando a Acupunctura, massagens etc. e distorcendo sempre o mínimo possível as práticas. Uma vez que os Japoneses são culturalmente muito diferentes dos chineses refinaram o vigor das criações chinesas e dominaram as técnicas. Apareceu no Japão um tipo de massagem e pressão no abdómen chamado de Ampuku. Os terapeutas de Ampuku estudavam até doze anos a diagnosticar e tratar doenças através do Abdómen ou Hara como se chama em japonês. Esta capacidade de reduzir, analisar e refinar é tão própria nos métodos japoneses como a criatividade nos chineses.
O Hara ocupa um lugar importantíssimo no Shiatsu não apenas como forma de diagnostico e tratamento como centro poderoso de energia que desenvolvem os terapeutas. Chama-se o “Mar de Ki” e toda a actividade realizada através do Hara possui uma combinação vital de energia, relaxamento e concentração. As artes marciais, as danças, o teatro, o sumo, o tiro com arco, a meditação, a pintura, a cura e formas de tratar arvores ou cozinhar executam-se muito melhor quando se fazem através do Hara. Este conceito de Hara é vital para a aprendizagem do Shiatsu. Centrar a consciência e a respiração no Hara constitui uma prática que abre as percepções do terapeuta até que por fim todo o corpo é convertido num veiculo sensível e transmissor de Ki.
Em 1925 nasce no Japão a Associação de Terapeutas de Shiatsu para se diferenciarem dos massagistas que davam massagens relaxantes. Nessa altura nomes como Shiatsu e digitopunctura tornaram-se em nomes oficiais de massagens curativas no Japão.
A origem da palavra Shiatsu
Na palavra Shiatsu, SHI significa polegar e TSU pressão.
O dedo polegar é extremamente importante na condição humana pois está relacionado com a evolução da consciência.
SHI significa também coração em relação com o fogo, pelo que a nossa subsistência como seres humanos depende de manter uma temperatura interna constante.
TSU significa também energia electromagnética que é a base da nossa energia vital. Ligando ambas as partes temos a função de integração do macrocosmos dentro de nós mesmos.